Sem graça e quase sem redimento, letras do Tesouro Americano têm atraentes
Matt Phillips
The Wall Street Journal
Pode acrescentar à lista dos investimentos mais cobiçados este ano nos Estados Unidos, junto com ações de novas empresas de internet e metais preciosos, a simplória letra do Tesouro americano.
A oferta reduzida e a demanda crescente estão causando um aperto no mercado para as letras de três anos, que estão entre os investimentos considerados mais seguros, e isso tem levado o mercado a subir, fazendo com que o rendimento diminua bastante.
No momento, as letras do Tesouro americano rendem 0,05% ao ano, depois de terem chegado este mês a praticamente 0,01%. Isso significa que letras de três meses com valor de face de US$ 1 milhão compradas na sexta-feira renderiam ao investidor apenas pouco mais de US$ 120 no vencimento. Parece nem valer a pena, mas novas regras estão tornando mais difícil para alguns investidores aplicar em outros ativos na busca por rendimentos mais altos.
Eles disputam uma oferta de letras, ou T-bills, que encolhe, em parte por causa do esforço do Tesouro americano de manter a dívida pública do país dentro do limite legal, que o Congresso até agora se recusou em aumentar.
Em consequência, a cotação da dívida pública de curto prazo dos EUA está em alta, o que faz com que os rendimentos, que se movem no sentido oposto, caiam a alguns dos mais baixos níveis desde a crise financeira. Eles caíram de aproximadamente 16 pontos-base, ou 0,16%, no fim de janeiro para seu mais baixo nível desde o fim de 2009.
As T-bills têm sido procuradas ativamente tanto em momentos de euforia — como a que levou as ações do site de contatos profissionais LinkedIn Corp. às alturas na semana passada — como de preocupação — como na queda generalizada das bolsas na segunda-feira. Normalmente, os papéis de curto prazo do Tesouro americano sobem em épocas de grande temor. Na última vez em que as letras estavam tão baixas, no fim de 2009, e durante a crise financeira, quando os rendimentos chegaram por um breve período a ser negativos, os investidores usaram os títulos públicos como meio de proteger seu patrimônio.
Há varios motivos para os baixos rendimentos: menos letras têm sido emitidas, novas regras forçaram os bancos nos EUA a comprar mais títulos de curto prazo do Tesouro e há uma desaceleração do crescimento econômico.
“Se as pessoas estão dispostas a aceitar rendimento zero (…) isso diz algo”, diz George Gonçalves, diretor de estratégia de juro nos EUA da Nomura Securities International em Nova York. “Parte disso é a questão macro, a crença de que as taxas vão continuar assim por um bom tempo.”
Depois de chegarem ao auge antes da temporada de imposto de renda, as vendas governamentais de letras do Tesouro normalmente diminuem nesta época do ano, quando a receita tributária enche seus cofres. Mas com o debate sobre o aumento do limite de endividamento se arrastando em Washington, o Departamento do Tesouro americano tem alterado a forma como capta recursos e reduzido algumas captaçõesref.
O Tesouro deixou que seu Programa de Financiamento Suplementar, de US$ 200 bilhões, encolhesse para US$ 5 bilhões. Naquele programa, instituído durante a crise financeira, o Tesouro vende T-bills ao público e guarda o dinheiro no Federal Reserve, o banco central.
O Tesouro não fez ainda nenhuma mudança em sua programação regular de leilões de dívida. Algumas mudanças “devem ser esperadas” caso o limite de endividamento não seja aumentado por volta de 2 de agosto, afirma.
“Simplesmente não vimos o tipo de oferta de que necessitaríamos ou esperaríamos para impedir que as taxas caiam”, diz Ian Lyngen, estrategista de títulos públicos do CRT Capital Group LLC de Stamford, Connecticut. “Diante dos padrões históricos, essas taxas são extremamente baixas para as letras.”
Economistas da Jefferies Fixed Income estimam que desapareceram US$ 167,5 bilhões em dívida pública de curto prazo do mercado de US$ 1,7 trilhão este ano, quando os papéis venceram. No mesmo período de 2010, a quantidade se expandiu em US$ 41 bilhões. “Achamos que não haverá alívio no curto prazo”, escreveram economistas da Jefferies numa nota de análise publicada semana passada. “A oferta de letras deve continuar a diminuir.”
Analistas de renda fixa do J.P. Morgan Chase & Co. estimam que US$ 155 bilhões em T-bills vão desaparecer do mercado em maio e junho, quando vencerem.
No lado da demanda, uma mudança de regra da Federal Deposit Insurance Corp., a agência de seguro-depósito do governo americano, deixou os bancos menos dispostos a fazer captações de curto prazo usando instrumentos conhecidos como acordos de recompra, ou “repos”, dizem participantes do mercado. Esses empréstimos são importantes investimentos para os fundos de curto prazo. Com menor demanda por repos dos bancos, os fundos de curto prazo estão transferindo mais dinheiro para os títulos do Tesouro, o que aumenta ainda mais a demanda pela dívida pública de curto prazo.
Ao mesmo tempo, os fundos de curto prazo estão se ajustando a uma onda anterior de mudanças de regulamentação que tinham o objetivo de aumentar a segurança deles. As novas regras, baixadas pela comissão de valores mobiliários americana no ano passado, exigem que os fundos detenham uma porcentagem maior de ativos mais líquidos de alta qualidade — normalmente papéis de curto prazo do Tesouro.
Na segunda-feira, o Tesouro americano leiloou US$ 27 bilhões em letras de três meses com um rendimento de 0,055% e relativamente forte demanda dos investidores.
“Essa é uma demonstração de como o mercado se sente em relação ao rendimento”, diz Thomas Simons, economista de mercado monetário da Jefferies & Co. Ele acrescenta que o fato de um par de pontos-base ser capaz de persuadir os compradores sugere que eles não esperam que os rendimentos subam muito mais no curto prazo. “Essas diferenças têm um impacto maior no mercado”, diz.
Originally Published On: online.wsj.com – Original Article Here
June 28 2011 | Uncategorized | Comments Off


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